A Grande Vilã da Saúde: A Inflamação Silenciosa (Crônica) - Leandro Minozzo

A Grande Vilã da Saúde: A Inflamação Silenciosa (Crônica)

Publicado em 9 de novembro de 2011 às 10:28pm

INFLAMA

 

Explicar o que é inflamação silenciosa, ou crônica, durante as consultas é uma tarefa muito difícil. No entanto, é de extrema importância que se tente entender um pouco sobre esse conceito, já que ele está envolvido na origem de doenças muito comuns e que causam grandes danos à saúde. O que ele tem a ver com longevidade? Tudo! Até há um termo bem atual que o relaciona ao envelhecimento precoce: inflamm-aging.

 

Quando se fala em inflamação, a primeira idéia que nos vem à cabeça é aquilo que acontece em alguma parte do corpo (músculo ou joelho, por exemplo) após uma batida ou arranhão… Inchaço, dor, vermelhidão e calor são os sinais clássicos de um processo inflamatório agudo e localizado. É como se essa parte do corpo começasse a pegar fogo – e inflamação no latim significa algo muito parecido mesmo: “atear fogo”. É tão comum sabermos disso que, para tratar uma batida dessas, usamos, geralmente por conta, medicações chamadas “antiinflamatórios”. Essa resposta do corpo nada mais é do que uma reação das células de defesa para reparar os tecidos que se machucaram na batida, ou mesmo para combater uma infecção, eliminando as bactérias nocivas.

Porém, não é bem desse tipo de inflamação localizada e benéfica (porque nos repara) que pretendo falar, mas sim de um processo que acomete o corpo todo, chamado de inflamação silenciosa, ou crônica. E quando falo corpo todo, não estou exagerando: até nosso cérebro é acometido!

Nesse tipo de inflamação, uma série de substâncias nocivas circula pela corrente sanguínea, causando danos em diversos órgãos. Fazendo uma analogia, é como se o corpo todo estive pegando fogo, porém numa temperatura mais baixa em relação àquela da inflamação aguda da batida do joelho. Na inflamação crônica, o nosso sistema imunológico é ativado, porém não há propriamente uma ameaça real para combater. Logo, o próprio corpo acaba sofrendo efeitos adversos dessa atividade que, acumulados ao longo de anos, ocasionam problemas sérios. É a inflamação crônica, por exemplo, que “pega” o colesterol da corrente sanguínea e o prende à parede das artérias, causando infarto, derrame e insuficiência cardíaca.

Recentemente, o diagnóstico da inflamação silenciosa tem sido recomendado em tratamentos para colesterol elevado (dislipidemia) e até mesmo depressão. Dependendo do resultado dos exames, o médico deve seguir rumos diferentes.

A inflamação crônica causa ou agrava as seguintes doenças:
• Aterosclerose (placas de gordura nas artérias)
• Infarto Agudo do Miocárdio
• Acidente Vascular Cerebral
• Insuficiência Cardíaca
• Doença de Alzheimer e outros tipos de demências
• Depressão
• Hipertensão
• Doença de Parkinson
• Diabetes tipo 2
Fome em excesso e obesidade
• Fadiga Crônica
• Apnéia do Sono
• Esteatose Hepática (doença do acúmulo de gordura no fígado) e Hepatite
• DPOC (Bronquite e Enfisema)
• Asma
• Artrite Reumatóide e outras doenças auto-imunes
• Doenças intestinais
• Osteoporose
• Osteoartrite (Artrose)
• Envelhecimento precoce (principalmente das células de defesa)
• Atrofia muscular
• Impotência sexual
• Insuficiência renal
• Diminuição na testosterona/ DAEM
• Todos os tipos de câncer – lembre-se sempre: as células cancerígenas adoram inflamação!

Mas o que causa essa inflamação silenciosa?

Basicamente, a inflamação silenciosa tem sua origem no estilo de vida inadequado. O consumo de certos alimentos (gorduras nocivas e excesso de carboidratos), o sedentarismo (pouca atividade física) e o estresse são fortemente relacionados com a ativação da inflamação crônica. Não se pode esquecer do tabagismo, da poluição atmosférica e do alcoolismo como outros importantes precipitadores.

O sobrepeso e a obesidade são duas condições cada vez mais comuns e que estão relacionadas também à inflamação crônica. Ao contrário do que muitos pensam, a gordura acumulada no corpo não representa apenas prejuízo estético, ela é extremamente nociva por produzir substâncias inflamatórias e que desregulam todo o sistema hormonal e metabolismo. Algumas infecções, como gengivites, também disparam o gatilho da inflamação, devendo sempre serem investigadas e tratadas. Em atletas de ponta – como os do futebol – que costumam se lesionar repetidamente têm sempre sua condição odontológica avaliada, em busca de um processo inflamatório “escondido”. Tratando as doenças da boca, as lesões musculares costumam cessar.

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Como eu detecto a inflamação crônica?

Consegue-se detectar a inflamação crônica através de alguns exames de sangue. Em nosso meio, o mais acessível é a Proteína C-Reativa Ultrasensível. Quando ela está presente, alguns outros exames costumam vir elevados: ferritina, fibrinogênio, VSG, triglicérides, insulina e homocisteína.
Deve-se evitar coletar o exame de Proteína C-Reativa Ultrasensível após exercícios físicos intensos ou quando da presença de gengivite, resfriados ou uso de medicamentos anti-inflamatórios ou que contenham corticóide.

Confirmar o exame através da repetição é uma prática que considero adequada.

Como se trata a inflamação silenciosa/crônica?

Apesar de sabermos na medicina sobre o papel da inflamação na origem de tantas doenças graves, pouca importância é lhe dada no dia-a-dia do consultório. Uma explicação para esse descuido pode ser a falta de tempo e paciência nas consultas (tanto na parte do médico quanto do paciente). Falo em falta de tempo e paciência porque, como vimos, tratar as causas da inflamação implica em orientar o paciente a uma mudança em seu estilo de vida (atividade física, alimentação e bem-estar mental), o que é muito difícil, demandando dos pacientes muita força de vontade para viver.

Fica claro, então, que uma alimentação saudável, rica em alimentos naturais que combatam a inflamação é fundamental. Atividade física diária e variada e o sono reparador também reduzem os marcadores de inflamação. Evitar o estresse e tratar doenças como a depressão fazem parte da abordagem.

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Existem alimentos ricos em substâncias que auxiliam no tratamento, bloqueando os efeitos epigenéticos da inflamação silenciosa (inflammaging), entre eles destaco o ômega-3, a cúrcuma, o resveratrol e o chá verde, além das fibras.

 

Não espere pela doença! Cuide-se!

Abraços, Leandro Minozzo

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