A Importância do Agente Comunitário de Saúde em Casos de Alzheimer - Leandro Minozzo

A Importância do Agente Comunitário de Saúde em Casos de Alzheimer

Publicado em 5 de setembro de 2017 às 1:24pm

alzheimer agentes EASY

Os agentes comunitários de saúde (ACS) desempenham um papel fundamental no modelo de atenção básica denominado Estratégia de Saúde da Família (ESF). São aproximadamente 285 mil profissionais que diariamente visitam lares levando informações, vendo e ouvindo queixas de pessoas, do norte ao sul do país.  Para quem não conhece bem  o funcionamento do nosso SUS, a Estratégia é a forma de atendimento de caráter preventivo e resolutivo, com ênfase no vínculo criado entre a comunidade e a equipe de saúde. Prioritariamente, bebês, crianças, gestantes, hipertensos, diabéticos, acamados e idosos são cuidados de tal maneira que acessem maior facilidade o serviço, os profissionais e tratamentos.

Hoje, vou destacar a importância dos agentes comunitários em diversos momentos do cuidado aos pacientes com a doença de Alzheimer. Consegui enxergar pelo menos nove formas pelas quais os ACS podem contribuir. Elas estão elencadas na imagem.

A primeira é justamente ajudar no diagnóstico.  Certamente,  não é função desse profissional estabelecer qualquer tipo de identificação de uma doença.  No entanto, com as informações verificadas nas visitas pode-se alertar o restante da equipe de saúde para que se verifique a presença de sintomas como perda de memória, confusão mental e desorientação. Muitas vezes, os médicos não conseguem diagnosticar as demências por falta de informações adequadas por parte dos familiares – e aí o ACS pode ajudar e muito. No Brasil, há aproximadamente 700 mil pessoas com Alzheimer sem o diagnóstico.  E, um detalhe importante quando se fala na importância de um diagnóstico precoce, no caso dessa doença, o tratamento traz mais resultado quanto mais cedo se diagnosticá-la.

Outra forma importante que o ACS pode contribuir no cuidado do paciente com Alzheimer é no suporte e na observação atenta de seus familiares. Grande parte de quem convive com um idoso com essa doença, em especial, entra em forte estresse, podendo até mesmo desenvolver um transtorno depressivo. São pessoas que precisam também de cuidado e o agente comunitário poderá também fazer essa observação e intermediar uma consulta com o enfermeiro ou com o médico. O ACS pode ser a pessoa que, ao invés de apontar para os defeitos e falhas no cuidado de um idoso, ajudará a levar socorro ao familiar que se vê muitas vezes desamparado.

E sobre as faltas ou confusões freqüentes que idosos cometem na marcação de consultas? O ACS pode sim ajudá-los a lembrar do dia e horário e, quem sabe, acompanhando idosos até a unidade de saúde o idoso com problemas de memória e seu familiar. Se isso gera mais trabalho e economicamente falando custos para o SUS, imagine só o que custa um idoso que cai ou que se agita à noite e precisa chamar o SAMU e ser levado ao hospital.

Por último, para não me estender muito, destaco que os ACS ajudarão também na adesão ao tratamento. A literatura mundial aponta que 48% dos pacientes com Alzheimer deixam de tomar as medicações prescritas em 6 meses. Entre as explicações para isso, temos a falta de informação e a dificuldade no acesso a medicamentos e a receitas controladas. Tenho certeza que um reforço nas explicações e um olhar cuidadoso e próximo, como deve ser o dos ACS, ajudará a melhorar esses números.

Destaco, por outro lado, que o ACS deve evitar rotular ou mencionar qualquer diagnóstico frente a um quadro de idoso com esquecimento e reforçar crenças erradas sobre a doença. Por isso, o estudo e a capacitação são tão necessários.

Meu primeiro emprego enquanto médico foi na Estratégia de Saúde da Família, em Montenegro -RS, quando vivenciei a importância dos agentes comunitários, em especial nas comunidades desfavorecidas e vulneráveis . Mais adiante, tive a oportunidade de ser gestor do SUS em Novo Hamburgo, por isso, falo dessas importantes tarefas que os ACS podem desempenhar.  Eles são protagonistas de uma forma de fazer medicina que está dando certo e pode, com certeza, avançar.

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