As Capacidades na Terceira Idade - Leandro Minozzo

As Capacidades na Terceira Idade

Publicado em 8 de julho de 2012 às 11:16pm

Muitas pessoas, e mesmo alguns idosos, se questionam sobre as capacidades de uma pessoa na terceira idade. Mas, afinal, seria tal fase da vida marcada por um acúmulo de incapacidades, principalmente pela intelectual? Seriam os idosos improdutivos profissionalmente? Seria a época de apenas descansar? Felizmente, isso está longe de ser verdade. Existem, inclusive, estudos que comprovam que é na velhice que muitos profissionais vivenciam sua fase mais produtiva. Um desses estudos me chamou bastante a atenção. Foi feito há uns dez anos na Espanha. Os autores, ao analisarem a vida de diversos profissionais de sucesso, chegaram à conclusão que entre historiadores, filósofos e escritores, era após os 60 anos que sua produção ganhava mais significado. O mesmo valeu para cientistas e inventores famosos, que tiveram mais da metade de sua produção após os 60 anos. Também entre os artistas, cerca de 20% de sua obra foi feita na velhice. Outro estudo que investigou a capacidade intelectual de idosos, deixou bem claro que a mediana etária dos ganhadores do Prêmio Nobel não é 20, 30 ou 40 anos… mas sim 63 anos!

Basta limparmos um pouco o preconceito das lentes dos óculos para enxergarmos o quanto somos liderados por idosos e o quanto eles são importantes para o sucesso de nossa sociedade. Ao olharmos para quem possui cargos de direção em empresas ou mesmo para nossos governantes, logo percebemos: a maioria já passou dos 60 anos. Nos últimos 20 anos de democracia, somos comandados por presidentes idosos! Nossa presidenta Dilma tem 64 anos! E isso ocorre em diversos outros países. Nas universidades, ambiente onde se exige muito intelectualmente, ocorre o mesmo: cargos de chefia e professores chefes são na maioria… idosos.

Atribui-se essa capacidade produtiva aumentada na terceira idade à chamada inteligência cristalizada, que é um tipo de inteligência relacionada com a experiência. Jovens com certeza conseguem assimilar conhecimentos mais rapidamente e fazer muitas coisas ao mesmo tempo (a chamada inteligência fluida). Porém, é só com o passar do tempo que se adquire maturidade, conhecimento dos “atalhos” da vida e a entender a si próprio e aos outros – infelizmente, ninguém vem com manual de instruções e se demora muito a aprender como funcionamos!

Há pouco tempo, uma paciente de 60 anos, advogada, queixou-se que já não tinha o mesmo pique de antes. Ao se comparar com os estagiários de 20 e poucos anos se dizia com dificuldades em acompanhar a velocidade com que eles faziam suas tarefas. Para tranquilizá-la perguntei: você acha que um de seus estagiários conseguiria fazer as suas tarefas de chefe do escritório? Imediatamente ela respondeu que não e sua angústia com a situação desapareceu. Já a atendi mais de dez vezes após essa conversa, e ela nunca mais tocou nesse assunto. Ficou, nesse exemplo, bastante clara a diferença nos tipos de inteligência que comentei anteriormente.

Outra característica que o idoso adquire e que lhe favorece profissionalmente é a prudência. Estudos mostram que, comparando com jovens, idosos apresentam menor quantidade de erros em testes que demandam determinado grau de cautela. Essa habilidade é importantíssima para muitas profissões, principalmente nas que envolvem tomadas de decisão e gerenciamento de pessoas, o que acontece nos cargos de chefia. Hoje, vem se tornando comum que pessoas aposentadas sejam convidadas a retomar seus postos de trabalho ou mesmo para assumir posições de liderança.

Durante aulas e palestras, costumo apresentar uma sequencia de fotos de pessoas idosas que contribuem ou contribuíram para a sociedade em diversos aspectos. São exemplos de celebridades e profissionais de diversas áreas. Não acho justo usar determinadas pessoas como modelos a serem alcançados, e não é para isso que trago esses exemplos. Faço isso para motivar todos nós a termos uma percepção correta e justa sobre a terceira idade. Afinal, precisamos de idosos ativos, confiantes em si!

O primeiro da lista não poderia deixar de ser o arquiteto Oscar Niemyer, de 104 anos. Há dois anos, li uma surpreendente entrevista sua num jornal. Na época, aos 102 anos, mesmo com dificuldades em visão e audição, cheio de projetos, ele contratava professores particulares para irem até seu apartamento falar de assuntos que tinha curiosidade, como física quântica e cosmologia.

Seguindo a lista, apresento a foto da Dr. Zilda Arns, que faleceu enquanto trabalhava por causas humanitárias aos 75 anos, no trágico terremoto que atingiu o Haiti em 2010. Fundadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, Zilda Arns ajudou mais de 2 milhões de crianças.

A lista de exemplos é vasta:

A atriz Fernanda Montenegro; o escritor José Saramago; o apresentador Jô Soares; os atores Paulo Autran, José Meyer e Antônio Fagundes; o empresário e apresentador Silvio Santos; o rei Roberto Carlos; os cantores Caetano Veloso, Chico Buarque, Jorge Bem Jor e Gilberto Gil; a banda de rock The Rolling Stones; a presidenta Dilma Housself; os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique; a ex-ministra do STF Ellen Gracie; os professores Dr. Henrique Justo (89 anos) e Dr. Balduíno Andreola, que me orientou no mestrado (79 anos); o Papa João Paulo II e o Papa Bento XVI; o Senador Paulo Paim; os cantores Paul McCartney e Bob Dylan; a apresentadora Ana Maria Braga; o poeta Mario Quintana; o rei Pelé; o Dalai Lama, Tenzin Gyatso (77 anos); os consagrados atores Morgan Freeman, Jack Nicholson, Al Pacino, Clint Eastwood e Robert De Niro; o ator Paulo José; a apresentadora Hebe Camargo; o filósofo francês Luc Ferry; o megainvestidor George Soros; a poetisa Cora Carolina, que teve seu primeiro livro publicado aos 76 anos; o escritor Paulo Coelho; o escritor americano Philip Roth; os eternos Nelson Mandela, Madre Tereza de Calcutá e Gandhi; o empresário e ex-vice presidente José Alencar; a escritora Lya Luft; a empreendedora cultura Eva Sopher (88 anos), que liderou a recuperação e agora a ampliação, do Theatro São Pedro, o mais importante do Rio Grande do Sul; Fauja Singh – a pessoa mais velha a completar uma maratona, aos 100 anos; Tamae Watanabe (73 anos) – mulher mais velha a escalar os 8.848 metros do monte Everest.

Com certeza, cometi enorme injustiça ao esquecer nomes que deveriam constar nessa lista… felizmente, exemplos não nos faltam mais! E, como disse, servem principalmente para nos ajudar a enxergar o potencial dos idosos e sua importância para a evolução da sociedade.

Forte abraço, Leandro

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