Brasil bate recorde em mortes por homofobia em 2017 - Leandro Minozzo

Brasil bate recorde em mortes por homofobia em 2017

Publicado em 19 de janeiro de 2018 às 1:11pm

 

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Ontem foi divulgado o número de assassinatos motivados pela homofobia no ano de 2017. Infelizmente, as estimativas quadrimestrais já apontavam para um crescimento e ele foi confirmado: tivemos uma morte a cada 19 horas.

Em meio a essa onda “moralizante” fake que enfrentamos, não podemos, enquanto pessoas que acreditam no respeito e na diversidade, ficar calados ou sermos omissos.

Há muito preconceito e há muito ódio no Brasil em relação às diferenças. Estamos presenciando recentemente o crescimento da intolerância política e religiosa, mas temos na de orientação sexual a mais perigosa e letal. Parece que ser preconceituoso nessa esfera de escolhas sexuais transforma as pessoas em mais “hetero”, ou mais pura, ou mais cristã do que as outras. Não sei porque acreditam nisso!

Quem morre geralmente são pessoas jovens, de classes baixas e predominantemente negros e pardos. Quem mata muitas vezes são “homens brancos e heterossexuais” – as novas vítimas da sociedade brasileira “moralizada”.

Lembro que, para muitos outros jovens, o preconceito e o ódio não se manifestam como violência física , mas emocional e cultural. Muitos, por causa disso, sofrem, adoecem e encontram na ideação suicida a alternativa de desespero para enfrentar um mundo irracional, sem compaixão e sem amor. Apresentam taxas de tentativa até 4 vezes maior do que os heterossexuais.

Quais os caminhos?

Devemos falar sobre respeito com nossas crianças e adolescentes. Sobre amor ao próximo. Tolerância.

Devemos falar sobre o potencial humano.

Devemos falar sobre gênero, sexo, respeito. Caso contrário, o que percebemos e continuaremos a constatar a cada ano é o crescimento dessa “ideologia do ódio”, que afeta e afetará todas as classes sociais, de todas as raças e todas as religiões.

Leandro Minozzo.

 

 

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Deixo o link da Agência Brasil com dados sobre o levantamento:

Em 2017, 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) foram mortos em crimes motivados por homofobia. O número representa uma vítima a cada 19 horas. O dado está em levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), que registrou o maior número de casos de morte relacionados à homofobia desde que o monitoramento anual começou a ser elaborado pela entidade, há 38 anos.

Os dados de 2017 representam um aumento de 30% em relação a 2016, quando foram registrados 343 casos. Em 2015 foram 343 LGBTs assassinados, contra 320 em 2014 e 314 em 2013. O saldo de crimes violentos contra essa população em 2017 é três vezes maior do que o observado há 10 anos, quando foram identificados 142 casos.

Também nesta quinta-feira (18) a organização não governamental Human Rights divulgou um relatório a respeito da violação dos direitos humanos no Brasil. O documento destaca que a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos recebeu 725 denúncias de violência, discriminação e outros abusos contra a população LGBT somente no primeiro semestre de 2017.

Levantamento

O levantamento realizado pelo GGB se baseia principalmente em informações veiculadas pelos meios de comunicação. Na avaliação de Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia e um dos autores do estudo, o fenômeno pode ser ainda maior, uma vez que muitos casos não chegam a ser noticiados.

“Tais números alarmantes são apenas a ponta de um iceberg de violência e sangue, pois não havendo estatísticas governamentais sobre crimes de ódio, tais mortes são sempre subnotificadas já que o banco de dados do GGB se baseia em notícias publicadas na mídia, internet e informações pessoais”, comenta.

Causas violentas

Das 445 mortes registradas em 2017, 194 eram gays, 191 eram pessoas trans, 43 eram lésbicas e cinco eram bissexuais. Em relação à maneira como eles foram mortos, 136 episódios envolveram o uso de armas de fogo, 111 foram com armas brancas, 58 foram suicídios, 32 ocorreram após espancamento e 22 foram mortos por asfixia. Há ainda registro de violências como o apedrejamento, degolamento e desfiguração do rosto.

Quanto ao local, 56% dos episódios ocorreram em vias públicas e 37% dentro da casa da vítima. Segundo o GGB, a prática mais comum com travestis é o assassinato na rua a tiros ou por espancamento. Já gays em geral são esfaqueados ou asfixiados dentro de suas residências.

Um exemplo foi o assassinato da travesti Dandara, de 42 anos. Ela foi espancada, apedrejada e depois morta a tiros por oito pessoas em Fortaleza no dia 15 de fevereiro de 2017. Os autores aidna registraram o crime em vídeo, que ganhou grande circulação nas redes sociais.

Distribuição regional

O estado com maior registro de crimes de ódio contra a população LGBT foi São Paulo (59), seguido de Minas Gerais (43), Bahia (35), Ceará (30), Rio de Janeiro (29), Pernambuco (27) e Paraná e Alagoas (23). Entre as regiões, a maior média foi identificada no Norte (3,23 por milhão de habitantes), seguido por Centro-Oeste (2,71) e Nordeste (2,58).

http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2018-01/levantamento-aponta-recorde-de-mortes-por-homofobia-no-brasil-em

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