Como melhorar a comunicação com pacientes idosos

Publicado em 29 de setembro de 2017 às 9:34am

Olá! Sabemos que o atendimento de pessoas idosas pode ser um tanto quanto desafiante. Não me refiro nem aos aspectos de diagnóstico e tratamento, mas a algo anterior: a comunicação. Provavelmente, ao lado do interesse e da empatia, a competência de comunicação seja uma das mais importantes para os profissionais de saúde que lidam com idosos. Digo isso porque comunicar é muito mais do que ouvir e falar. É o ouvir com atenção e fazer-se compreender com a fala, a escrita e gestos.

ear of heart

Com o crescimento da população na terceira idade, e a lacuna marcante de profissionais especializados em atendê-la, é importante que todos busquem compreendê-la, adquirir e praticar competências de comunicação adaptada. Com exceção dos pediatras, e olhe lá que muitos dos seus pacientes são levados pelos avós, todas as especialidades médicas e todas as profissões da saúde atendem e atenderão cada vez mais pessoas com mais de 60 anos.

Deixo algumas estratégias justamente sobre comunicação com os idosos. São difíceis de serem inseridas na rotina de muitos, sei que sim. Hoje, mais do que nunca, o cuidado à saúde está sendo feito com pressa por diversos motivos. Aumentar o tempo de consulta, por exemplo, é algo difícil. Mas peço atenção às outras sugestões. Pode ser que alguma delas seja aplicável e os resultados serão melhores.

 

  • Oferte tempo extra para idosos, ou marque consultas mais freqüentes;
  • Minimize distratores (excesso de pessoas no consultório, objetos, sons);
  • Posicione-se face a face e mantenha contato com os olhos;
  • Escute sem interrompê-lo;
  • Questione no começo da consulta sobre as capacidades auditivas e visuais;
  • Fale devagar, claramente e, dependendo, mais alto;
  • Use frases curtas e palavras simples;
  • Aborde um tópico por vez – legal é encerrar o tópico e dizer que agora se falará sobre outro assunto;
  • É importante identificar qual a primeira e principal queixa do paciente e, no término da consulta, destacá-la e apontar alguma conduta (isso porque muitas vezes o que é importante para o profissional não corresponde ao que motiva a consulta do paciente);
  • Simplifique e escreva as instruções;
  • Use recursos visuais (desenhos nas receitas, desenhos para explicar doenças);
  • Use receituário em folhas grandes, do tamanho A4;
  • Sumarize os pontos mais importantes e faça mais de uma vez se achar necessário;
  • Dê ao paciente espaço para perguntas;
  • Marque os idosos cedo ou em horários que não estejam sonolentos;
  • Cumprimente-o na chegada;
  • Mantenha a sala de espera calma;
  • Faça sinais, formulários e panfletos de fácil leitura;
  • Fique preparado para ajudá-lo no deslocamento dentro do consultório ou da unidade de saúde;
  • Caso haja suspeite de problemas cognitivos, peça para que o idoso venha acompanhado;
  • Use o contato físico para manter o paciente tranqüilo;
  • Entregue não só a receita, mas um resumo da consulta quando possível;
  • Tente finalizar a consulta e a visita de forma positiva e alegre.

 

Essas estratégias são bastante úteis, porém só se tornarão válidas se a mensagem a ser transmitida vier acompanhada de compaixão pelo sofrimento ou limitação daquela pessoa a sua frente e de uma capacidade de tratá-la com dignidade.

Um grande abraço,

Leandro Minozzo

 

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Referências:

Fam Pract Manag. 2006 Sep; 13(8):73-78

Rev Esc Enferm USP 2014; 48(6):1020-5

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