É Natal e me pergunto: o Brasil é ainda um país cristão?

Publicado em 11 de dezembro de 2017 às 4:04pm

Difícil dizer que sim. Perceba: não dá nem pra falar sobre ou defender direitos humanos sem ser retrucado rispidamente e estamos simbolicamente a duas semanas do… Natal. E o engraçado é que a construção social dos direitos humanos guarda muito de seus motivadores e capacidade para implementação justamente devido ao Cristianismo.

No nazismo, tentaram re-fundar um tipo de cristianismo que negava a origem judia de Jesus, a Bíblia e adaptavam seus argumentos em prol do ódio. Era a chamada Cristandade Positiva. Aqui e agora – Brasil, 2017 -, percebo que a religiosidade limitou-se e flexibilizou-se. Cada um, cada família, tem o seu Cristo self-service. Um Jesus próprio. Algo fechado entre paredes, muros e grades – por que não em telas touchscreen? Tudo virou uma imagem passageira e estéril. A teologia da prosperidade evoluiu para essa nova forma ainda mais nefasta: a teologia da individualidade.

E tirar o lado humano de Cristo parece que se adapta bem a essa normalopatia vivenciada no Brasil. Jesus pode ser lembrado como luz, energia, tudo bem, mas não se pode esquecer do seu aspecto humano (do seu pé na terra, humus). Do seu lado humano, fonte de exemplo, da sua relação com os outros, a quem chamava de próximo.

O que se pretende esconder do Jesus humano? Afinal, há algum aspecto, alguma orientaçãoo ou algum gesto seu que se deve ignorar, simplesmente por não se adaptar às nossas prioridades atuais?

Setores da mídia e a própria sociedade tentam ignorar um Papa revolucionário, que insiste em lembrar justamente do Jesus humano.

Desse jeito, com esse consumismo religioso e espiritual, em breve, valorizaremos mais a Black Friday do que o próprio Natal. Cristo Libertador, corre o risco de ser o Jesus Neoliberal. Aliás, um Cristo Neoliberal é algo tão paradoxal quanto à Cristandade Positiva. Seria um Cristo merecido exclusivamente por alguns poucos que resistem e que obtém acesso a bens, à saúde e ao trabalho digno. Um Jesus gourmet, objetificado.

Que todos aqueles que pensam o contrário e vivem de maneira diferente possam manter vivo o outro Espírito e lembrar um pouco de Jesus, mas o de Nazaré. O que nasceu sem terra, sem teto e o que encostava nos outros. Que tenham todos sua esperança renovada. Que pensem e peçam pelos embriagados pelo eu e pelo consumo e que se lembrem dos que sofrem, que empurram carros de supermercado como se fossem suas casas pelas ruas da cidade, dos desempregados, dos angustiados, dos solitários, dos doentes esquecidos, dos excluídos do banquete do Instagram.

Pensar num Brasil melhor exige olhar para isso. Falo em Jesus Cristo por ser da minha fé, por estarmos próximos do Natal e pela cultura brasileira. Mas, ampliando, acredito que estamos distantes do que ensina a maioria de todas as religiões que tenho estudado.

Enquanto coletividade, deixamos de ser nação cristã, somos qualquer outra coisa à deriva.

Mas já nos foi ensinado o caminho.

Que nessa véspera de Natal todos lembremos do Jesus Humano, corajoso e vitorioso.

 

Abraços, Leandro

 

Novo Hamburgo- RS | Rua Nações Unidas, 2475 sala 203 - Bairro Rio Branco – Tel. (51) 3035 1240 ou (51) 9818 2595 | leandrominozzo@gmail.com

2015 - Todos os direitos Reservados