Estratégias para a perda (sustentada!) de peso

Estratégias para Perda (Sustentada!) de Peso

Publicado em 7 de dezembro de 2016 às 10:04pm

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Olá!

Todos os sábados reservo pelo menos duas horas para estudo de assuntos relacionados à saúde. Hoje, a pergunta que tentei responder foi “quais são as estratégias mais eficientes, cientificamente comprovadas, na perda de peso sustentada?”. Ano passado já havia feito um levantamento semelhante, no entanto, decidi que é importante estar vigilante para novas tendências sobre o tratamento dessa cada vez mais presente doença, a obesidade.

Acho importante deixar claro o que significa uma perda de peso sustentada. Há uma pequena divergência entre conceitos de sucesso nesse tratamento: referências mais antigas referem que ela se dá com a perda de 10% do peso corporal e ela seja mantida por pelo menos 1 ano; recentemente, há alguns considerando que a perda de 5% já é considerada como bem-sucedida. Já no aspecto da necessidade de mantê-la por pelo menos 1 ano, não há qualquer divergência.

No consultório, costumo focar os 10%.

Sobre o estudo de hoje, o encerro satisfeito – por estar no caminho correto com os pacientes – e entusiasmado em continuar com o foco na combinação entre educação e o acompanhamento intensivo.

Veja os motivos que me despertaram esses sentimentos.

Em 2005, no American Journal os Clinical Nutrition, Rena Wing e Suzanne Phelan publicaram uma revisão que apontou as seis estratégias de sucesso para a perda de peso no longo prazo. Quais seriam elas?

  1. Aderir a altos níveis de exercício físico;
  2. Seguir uma dieta de baixa calorias e teor reduzido de gorduras (passados 10 anos, há certa contestação quanto à questão das gorduras);
  3. Ter o hábito do café da manhã;
  4. Auto-monitoramento do peso, de forma regular;
  5. Manter um hábito alimentar constante;
  6.  Encarar as falhas na dieta de maneira adequada, para que elas não se transformem em períodos maiores de erro.

O que penso em relação a esses apontamentos? Estão corretíssimos! Principalmente na questão de foco no exercício físico regular quando se pensa na perda de peso a longo prazo e no último ponto: saber lidar com eventuais erros alimentares, as famosas escapadas. No tratamento que proponho, são temas que ganham destaque.

O outro estudo de revisão sobre o tema é bastante recente, agora de 2016, e foi desenvolvido por pesquisadores italianos.  Ele foi publicados no periódico Diabetes, Metabolic Syndrome and Obesity: Targets and Therapy. Nessa revisão, aspectos como envolvimento em atividades educacionais, uso de medicações para obesidade, consideração de aspectos psicológicos dos pacientes, satisfação com o resultado e foco também em saúde complementam as estratégias do estudo anterior.

Dessa completa revisão, outra característica relacionada ao sucesso na perda de peso foi a construção de uma aliança terapêutica. Considero esse aspecto fundamental para o acolhimento e tratamento de pacientes com sobrepeso e obesidade. Sobre aliança terapêutica, ela compreende duas faces complementares: a relação médico-paciente, no viés humanista de escuta ativa e empatia, e a relação entre diversos profissionais de saúde – ou seja, a verdadeira  interdisciplinaridade. Ela diz respeito à atitude do médico em propor e incentivar a troca de informações e condutas com colegas de outras especialidades e também com psicólogos, psiquiatras, nutricionistas, fisioterapeutas e educadores físicos.

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Habituei-me desde o começo do consultório a dividir o cuidado com outros profissionais porque o atendimento de idosos precisa ser feito dessa maneira. Nos últimos anos, quando passei a atender pessoas que buscam perder peso, transferi esse conceito de aliança terapêutica para a nutrologia.

Encerrando esse breve post, permito-me deixar as estratégias que considero eficientes para a perda de peso saudável, ou seja, aquela que se sustenta em preceitos médicos seguros e visa a saúde do paciente no longo prazo.

Ai vão elas:

  1. Associar exercícios físicos regulares a uma dieta de baixa caloria
  2. Diagnosticar e tratar transtornos mentais descompensados ou erros cognitivos que levem ao ganho de peso
  3. Participar de atividades de educação nutricional em grupos
  4. Adesão ao tratamento medicamento quando proposto
  5. Foco na saúde integral
  6. Compreender as reações que envolvem o comportamento alimentar, como as armadilhas ou as compensações
  7. Procurar um profissional especialista e com a capacidade e interesse de fazer a aliança terapêutica com o paciente e outros profissionais
  8. Pesar-se a cada 2 dias
  9. Reforço positivo com resultados alcançados não só em quilos perdidos
  10. Aprender a planejar as refeições
  11. Tomar café da manha
  12. Reduzir ao máximo sobremesas e abusos de bebidas alcoólicas

Deixo esses caminhos tanto para pessoas que desejam encarar o sobrepeso e a obesidade quanto para profissionais da saúde guiarem suas condutas.

Fica, do pesquisado e aqui relatado,  a certeza da obesidade e o sobrepeso serem condições que podem ser enfrentadas. Muitas pesquisas têm mostrado os caminhos.

 

Um grande abraço,

Leandro Minozzo, médico nutrólogo, pós graduado em geriatria e mestre em educação

 

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