Leite de Vaca e Derivados: Ainda São Excelentes Alimentos? Acredito que Sim! - Leandro Minozzo

Leite de Vaca e Derivados: Ainda São Excelentes Alimentos? Acredito que Sim!

Publicado em 16 de janeiro de 2018 às 2:27pm

Evidências recentes absolvem os laticínios de malefícios à saúde e ainda o fortalecem como ótima fonte de nutrientes e alimento funcional.

Nas últimas duas décadas, é crescente o debate sobre benefícios ou malefícios de diversos alimentos à saúde humana; foi assim com o ovo, a carne vermelha e, por último, com o trigo e o leite de vaca. Hoje, pretendo expor algumas evidências mais recentes sobre o leite de vaca – lembrando, sempre, que é contraindicado seu consumo em crianças abaixo de um ano de idade. De antemão, situo-os com os porquês de iniciar o artigo. Primeiro, o grande número de pacientes que ingerem pouquíssimo cálcio e/ou proteína e que relatam terem radicalmente tirado o leite e derivados da dieta. Segundo motivo, a disseminação de notícias e teorias superficiais por parte de alguns colegas médicos e também de outras formações, ressaltando os possíveis malefícios do alimento, usando argumentos questionáveis e confusos além de, como veremos, serem facilmente refutáveis. Por último, o estabelecimento de uma crença popular de que “leite faz mal”, a qual representa riscos à saúde da população.

Há questão de meses, publiquei meu último livro sobre prevenção da doença de Alzheimer, e durante profundo estudo, encontrei comprovações de que o consumo de leite e derivados favorece a preservação de uma boa saúde mental, especialmente nas funções cognitivas.

Aqui, reuni algumas pesquisas bastante recentes sobre a relação do consumo do leite com doenças comuns, como osteoporose, diabetes, obesidade e hipertensão arterial.

 

1)      Consumo de leite previne osteoporose:

Pesquisa publicada em dezembro de 2012, na Coréia do Sul, analisou durante 4 anos 1.725 mulheres que já estavam na menopausa. As que consumiam grande quantidade de leite e derivados e chá verde apresentaram um risco 37% menor de desenvolver osteoporose, enquanto aquelas que adotavam com mais rigor uma dieta tradicional à base de arroz, vegetais e kimchi apresentaram um risco maior de desenvolver a doença.

Indo agora para a Polônia, pesquisa publicada em julho de 2013, na revista Nutrients. Nela 712 mulheres foram avaliadas. Os resultados apontaram para relação entre alto consumo de laticínios na idade adulta (mais de 28 porções semanais) com boa saúde óssea, além de destacar a importância do consumo na infância e adolescência. Consumir leite e derivados nessas fases da vida podem melhorar a densidade óssea e reduzir o risco de osteoporose na idade adulta.

Finalizando o tópico consumo de laticínios/cálcio e risco de osteoporose, trago um estudo robusto feito por pesquisadores de Nova Iorque e publicado na revista Osteoporosis International, em 2008. Foram avaliadas nada menos do que 76.507 mulheres após a menopausa. Os resultados reforçam as pesquisas anteriores, um alto consumo de cálcio ao longo da vida estava relacionado à redução em 20% no risco de desenvolver a doença.

 

2)      Leite, derivados e obesidade:

Assim como aconteceu na análise consumo de laticínios e risco de desenvolver osteoporose, o mesmo foi observado quanto à obesidade, à diabetes do tipo 2 e às doenças cardiovasculares – as pesquisas encontradas além de não confirmarem os argumentos do colega, apontam justamente para o contrário.  Em publicação da revista Nutrients, de novembro de 2013, avaliando pacientes com obesidade grau I, pesquisadores encontraram que o consumo de laticínios foi inversamente proporcional ao índice de massa corporal (IMC), percentual de gordura corporal e circunferência abdominal. O consumo da proteína e do cálcio de origem láctea foi associado à menor adiposidade. O estudo também apontou relação saudável entre ingestão de iogurte e do leite com baixo teor de gordura e composição corporal.

Na mesma questão da composição corporal, só que dessa vez analisando adolescentes, pesquisadores portugueses descobriram que o consumo de leite apresentou relação inversa ao IMC e taxa do gordura corporal de moças entre 15 e 18 anos. O estudo foi publicado em 2012, no European Journal of Pediatrics.

 

3)      Leite, derivados e diabetes tipo 2:

Sobre a diabetes do tipo 2, as evidências são ainda mais impactantes e apontam o consumo de laticínios como protetores em relação ao risco de desenvolvimento da doença. Em pesquisa do tipo meta-análise de setembro de 2013, realizada por pesquisadores chineses, foi encontrada uma relação inversa no consumo de laticínios (13 estudos), laticínios com baixo teor de gordura (8 estudos), queijo (7 estudos) e iogurte (7 estudos) no risco de desenvolvimento de diabetes do tipo 2. Os pesquisadores concluíram que a capacidade protetora dos laticínios é  mais forte quando o consumo fica em até 200 gramas ao dia.  Outro estudo do tipo revisão e meta-análise, também publicado em 2013, no American Journal of Clinical Nutrition, apresentou conclusões semelhantes, ou seja, o consumo de laticínios diminuindo os riscos para desenvolvimento da diabetes desse tipo.

Nessa mesma revista científica,  em 2012, um grupo de pesquisadores holandeses, da Universidade de Ultrecht, não encontrou associação do consumo de laticínios com o risco de desenvolver diabetes. Ao analisarem os laticínios por grupos, encontraram que os queijos e os fermentados diminuíram os riscos de desenvolver a doença. Cabe ressaltar que nesse estudo foram avaliados 340.234 participantes de 8 países europeus.

Agora, em fevereiro de 2014, um estudo publicado na revista Diabetologia, por pesquisadores da Universidade de Cambridge, demonstrou que o consumo de laticínios fermentados, com baixo teor de gordura, em especial os iogurtes, reduziam o risco de desenvolvimento da diabetes tipo 2.

 

4)      Leite, derivados e hipertensão arterial:

Quanto às doenças cardiovasculares, no caso da hipertensão arterial, uma pesquisa do tipo meta-análise publicada em novembro de 2012, na revista Hypertension, concluiu que o consumo de laticínios com baixo teor de gordura e leite previne o surgimento da doença.  Também com o objetivo de esclarecer a relação entre o consumo de laticínios com a saúde do coração, pesquisadores neozelandeses não encontraram malefícios em meta-análise feita em 20 estudos – publicação na revista PLoS Online, no último outubro.

 

Fica claro que defendo veementemente o consumo de leite e derivados. Lembro que o Ministério da Saúde, através da Pirâmide Alimentar atualizada (2013) e do Guia Alimentar para a População Brasileira, também apresenta mesmo posicionamento – que recomenda, inclusive, o consumo de 3 porções diárias de laticínios.

Como médico, reconheço, diagnostico e trato a intolerância à lactose, porém posso provar que a estatística indicando que mais de 70% da população brasileira a apresenta e devem suspender o consumo de leite imediatamente é falsa – não há nada que a comprove e o dia-a-dia do consultório aponta para algo diferente. Em muitos casos, há, inclusive, a sua resolução através do equilíbrio das funções intestinais.

Por fim, lembro que os laticínios apresentam alta densidade nutricional, sendo fontes de proteína de qualidade, cálcio, potássio, zinco, fósforo e vitaminas. Além disso, são financeiramente acessíveis – o que deve ser considerado num país pobre como o nosso e com alto risco de desnutrição. Outro aspecto importante é que os laticínios apresentam fácil mastigação e deglutição – questão crucial para pessoas que envelhecem, por exemplo.

Infelizmente, não é todo mundo que pode consumir whey protein diariamente. Se você não sabe, trata-se de um composto de aminoácidos vindo do tão maldito… leite de vaca.

 

Abraços,

Leandro Minozzo – Médico Geriatra e Nutrólogo CREMERS 32053

 

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* Sou intolerante à lactose e não tenho vínculos financeiros com a indústria alimentícia.

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