O que há de alterado no cérebro de quem tem compulsão alimentar? - Leandro Minozzo

O que há de alterado no cérebro de quem tem compulsão alimentar?

Publicado em 21 de fevereiro de 2017 às 11:55am

Olá, hoje vou comentar um pouco sobre os aspectos neurofisiológicos do Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica. Transtorno esse presente em pelo menos 30% dos pacientes que buscam tratamento para perda de peso.

Entender essa condição é fundamental para que se ofereça a essas pessoas uma chance de tratamento definitivo. Assim como se evite constrange-las com ideias preconceituosas – como rotulando-as simplesmente de “desmotivadas”.

Apesar de neurofisiologia soar um tanto quanto complicado, vou focar em dois aspectos simples, porém determinantes.

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As pessoas que sofrem do comer compulsivo apresentam duas características que as deixam em risco aumentado para essa forma extremamente prejudicial de alimentação.

Em primeiro lugar, elas realmente possuem  uma aumentada sensibilidade aos mecanismos de recompensa. Isso quer dizer que a qualquer estímulo relacionado à comida, elas acabam sentindo muito, mas muito mais prazer. As vias relacionadas a essa resposta exagerada de prazer ao alimento são as mesmas envolvidas na dependência química – as mesmas relacionadas ao vício em drogas.  É por isso, veja só,  que elas sentem tanta alegria, satisfação e acabam “saindo  de si” na presença de alimentos, em especialmente dos mais calóricos.

Um segundo aspecto de neurofisiologia é que as pessoas com o transtorno da compulsão alimentar periódica possuem um diminuído controle inibitório após a alimentação. Elas simplesmente não possuem a mesma capacidade de conseguir dizer chega. Nelas, os sinais de saciedade e de inibição ou demoram muito ou mesmo não chegam a surtir efeito.

Dessa forma, sentindo muito mais prazer, mesmo momentâneo, porém real e intenso, e não conseguindo desenvolver respostas inibitórias, as pessoas com transtorno do comer compulsivo acabam lutando com a balança e adoecendo.

É claro que não são apenas essas duas alterações que levam ao desenvolvimento da doença, o cérebro e os mecanismos responsáveis por comportamentos são muito complexos.

No entanto, essa simples compreensão já serve como ponto de partida – tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento.

Abraços!

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