Por um Transformador Congresso da Cidade de Novo Hamburgo - Leandro Minozzo

Por um Transformador Congresso da Cidade de Novo Hamburgo

Publicado em 26 de janeiro de 2018 às 2:41pm

 Há muita discussão política em Novo Hamburgo. É um fato social interessante. Tivemos protestos, coletivos culturais e políticos, ocupações estudantis e temos programas na rádio e TV que diariamente abordam o tema. Temos feiras diversas, com foco em natureza e sustentabilidade – ou seja, de cunho político. Nas redes sociais, e através delas, o alcance e a intensidade do debate político consolidaram-se. Temos grupos com constantes discussões e denúncias que têm resultado em ações reais do poder público – um com mais de 70 mil participantes. Há, em meio a isso tudo,  críticas descabidas, falta de informação, brigas e intolerância. Tenho a opinião que há sim – mas não é a regra.

museu-arte-scheffel

O lado positivo, balizador maior desse texto, se percebe nas muitas cobranças justas, ideias interessantes e vontade. Começo o ano achando que esse fenômeno tem como pano de fundo a intenção de vivermos numa cidade melhor. Vejo isso em mais de 70% das pessoas.  Infelizmente, temos lacunas históricas na politização de espaços da cidade. Alguns eventos históricos, de imigração especialmente, e o tipo de negócio primordial da cidade fizeram com que as pessoas mais se separassem do que se unissem enquanto concidadãos. Com isso, percebo que falta algumas vezes conteúdo, acesso a informação pública e lugares para construção de ideias. Saímos, por exemplo, de um governo de 4 anos que foi muito criticado. Muito mesmo. Que teve avanços em áreas sociais (aumentou cobertura de educação infantil e de saúde da família, por exemplo), mas foi deficitário em outras. Hoje vejo que falhou principalmente em não fazer com que as pessoas se apropriassem da própria cidade, ou seja, não conseguiu superar a polarização. Agora, veja o que dizem os debates políticos mais recentes: as críticas anteriores se repetem, alguns serviços que deveriam melhorar claudicam e cresce a sensação de que não há alternativa dentro da própria cidade. E não me refiro a pessoas enquanto alternativas, mas a formas de fazer uma melhor e necessária política. Não vejo pessoa que vá conseguir responder a tudo que está posto enquanto tivermos um clima extremamente crítico, porém, sem o envolvimento realmente mais democrático. Para os estudiosos de gestão, a importância de fazer uma comunicação ampla e de ouvir os funcionários é sabidamente essencial. E quando falamos em gestão pública, isso é ainda mais necessário. Vicente Falconi tem um ensinamento marcante: que toda grande empresa deve ser na verdade uma grande escola. E ele tem muita razão quando diz isso. Pergunto: será que não seria o caso de aplicar esse conceito em nossa maior e mais complexa estrutura administrativa?

Fui criado em Canoas e acompanhei de perto iniciativas interessantes que lá aconteceram. Uma delas é o Congresso da Cidade, de 2011. Capitaneada pelo ex-prefeito Jairo, contou com apoio da sociedade e de praticamente todos os partidos, exceto um. Aqui, sugeri esse iniciativa para mais de uma liderança e não houve avanço. Num Congresso baseado em melhoria de serviços, um debate plural, com casos de sucesso de outras cidades e com a participação de quem já foi gestor público pode, sim, construir um novo jeito de fazer política na cidade. Pelo mundo, outras cidades fazem o mesmo.

O modelo de democracia representativa ocasional, o que se restringe às urnas, tem conseguido promover pouco engajamento. Do que tenho lido, formas de aumentar espaços de participação voltam a ser a alternativa mais viável para as cidades – que tendem a ser cada vez mais fundamentais na garantia dos direitos básicos e agora também na prevenção da violência e na segurança pública. Acho que esses espaços devam usar o OP como referência, mas que consigam ir mais além. Ao desenhá-los, que se tenha o cuidado em se canalizar tanta vontade e tanta informação para a construção de saberes plurais e úteis das e paras as realidades locais. Veja que o custo para realizar um ato de ousadia desse é ínfimo e os resultados podem ser transformadores. Temos espaços ótimos, como universidade e a Fundação Scheffel. Temos pessoas brilhantes, que sabem de indústria, de serviços, de assuntos acadêmicos, que viajaram o mundo. Temos CDL, ACI, Observatório Social, FEEVALE, Câmara, ONGs, UENH, sindicatos e lideranças (e os próprios partidos) que podem ser provocados a trazerem soluções.

Por que não? Se a prefeitura não fizer, que alguém, por favor, faça.

Abraços, Leandro Minozzo

Novo Hamburgo- RS | Rua Nações Unidas, 2475 sala 203 - Bairro Rio Branco – Tel. (51) 3035 1240 ou (51) 9818 2595 | leandrominozzo@gmail.com

2015 - Todos os direitos Reservados