Whey Protein como estratégia de emagrecimento

“Pré-carga” com Whey Protein: Estratégia Nutrológica na Perda de Peso

Publicado em 30 de maio de 2016 às 1:57pm

Apesar do preocupante e crescente número de pessoas com sobrepeso e obesidade, carecemos de opções adequadas no tratamento dessas condições. Nem sempre se consegue ajudar os pacientes a mudar seu estilo de vida ou, então, as mudanças realizadas dentro dos limites de cada um não são suficientes para alcançar os efeitos esperados em termos de metabolismo, quer seja na redução do peso ou de taxas como glicemia ou no perfil lipídico.

No entanto, sabemos que o emprego de medicações que atuam sobre o apetite e a saciedade deve ser reservado para determinados casos e exige que se tome uma série de cuidados. Recentemente, com a polêmica da proibição e, posterior liberação, da sibutramina, a questão da segurança ganhou destaque ainda maior, com muitos pacientes e médicos optando por não usá-la ou prescrevê-la. Com isso, surgem dois espaços importantes para a atuação do nutrólogo: (a)uma situação clínica posterior e complementar à dietoterapia e anterior à prescrição dos medicamentos e  (b) na adequação dietética daqueles pacientes que não podem fazer uso das medicações.

Entre as opções terapêuticas, pode-se abrir mão de nutracêuticos que aumentam a taxa metabólica basal, ou seja, que elevam o consumo de energia do corpo quando em repouso através da termogênese. Um exemplo típico e já utilizado há mais tempo recai na adição da cafeína e dos flavanoides presentes no chá verde. Aproveito-os para mencionar a necessidade de se observar e considerar os efeitos adversos e perfil de segurança também dessas terapêuticas complementares, que no caso mencionado (cafeína e chá verde) são bastante seguras quando em doses, ou xícaras, moderadas.

 

Nesse mesmo espaço para intervenção terapêutica nas doenças nutrometabólicas, trago uma estratégia que nos últimos anos tem sido alicerçada por diversas pesquisas sérias: a pré-carga/ “preload” com aminoácidos. A ingestão desse tipo de nutriente atua em determinadas regiões do trato gastrointestinal responsáveis por emitir sinais regulatórios para o próprio sistema digestivo e também endócrino e nervoso. Entre esses sinais, temos, por exemplo, alguns que reduzem o apetite, aumentam a saciedade, alteram o esvaziamento gástrico e melhoram a resposta do hormônio insulina, diminuindo os picos de glicemia após as refeições – o que pode resultar na desejada perda de peso. Essas vias metabólicas, que envolvem neuropeptídios, entre eles a CCK, grelina, PYY e os chamados de incretinas, como o GIP e GLP-1, estão bem estabelecidas cientificamente e inclusive são alvos de uma das classes mais inovadoras de medicamentos para a diabetes, os inibidores da DPP-4.

A grande vantagem “hipocrática” seria conseguir efeitos similares aos desses medicamentos apenas com uso de alimentos – o que é, no mínimo, interessante.

 

Nature Reviews Drug Discovery 8, 369-385 (May 2009)

 

Mas como seria essa estratégia de pré-carga na prática?

Após uma avaliação nutrológica, quando, entre diversas análises, as necessidades diárias de micro e macronutrientes são estimadas, o médico indica a ingestão de uma carga ajustada de aminoácidos cerca de 30 minutos antes da refeição escolhida. Como fonte desses aminoácidos, pode-se usar o concentrado de proteína do soro do leite. Existem meios de otimizar essa estratégia, como a escolha do horário preciso e a inclusão de uma carga proteica adequada e com qualidade no café da manhã. Quanto à dosagem do concentrado de proteína do soro do leite, a da pré-carga pode ser bem menor do que aquela utilizada comumente para reparo muscular pós-treino. Existem também pesquisas com essa mesma estratégia só que com outras fontes proteicas, entre elas o amendoim – como uma opção para vegetarianos ou de baixo custo – e a proteína da soja mais recentemente. Falando no aspecto financeiro, há algumas pesquisas que empregam o leite desnatado na pré-carga, com resultados também satisfatórios.

Há estudos usando esse tipo de intervenção nutricional em paciente diabéticos e os resultados mais recentes têm mostrado um impacto positivo no controle glicêmico. Isso se deve ao fato da pré-carga ocasionar  um esvaziamento gástrico mais lento, aumento plasmático (no sangue) de substâncias chamadas incretinas (GIP e GLP-1) e na redução da glicemia após as refeições. (Wu et al. Diabetes Care. 2016 Apr;39(4):511-7 ; Mignone et al. World J Diabetes. 2015 Oct 25;6(14):1274-84) Há indicativos de que a associação dessa estratégia a uma classe específica de medicações para a diabetes poderia oferecer resultados ainda mais promissores.

 

Apesar de ser um assunto que desperta interesse, acho importante deixar claro quando essa pré-carga pode e deve ser utilizada. Em primeiro lugar, não se trata de uma tática de início de tratamento, mas, como delimitei no começo do artigo, de complementação na busca por objetivos e na manutenção da motivação. Ela deve ser estabelecida quando o paciente encontra-se motivado e com o seguimento da dieta no nível “pelo menos adequado”. Existem também algumas condições que favorecem um resultado eficaz – daí a necessidade de proximidade profissional-paciente.

Mas é preciso certos cuidados. Há riscos ao se tentar adotar por conta essa medida, que seriam uma rara, porém possível, sobrecarga proteica; ou uma nova desilusão na tentativa de perder peso e consequente frustração que podem impulsionar um ganho de peso extra – muito comum–;  e mesmo um gasto financeiro, que pode se tornar elevado devido aos custos dos suplementos.

Obviamente, os resultados da pré-carga não aparecem na mesma quantidade e velocidade do que os das medicações inibidoras do apetite, porém, ganha-se muito em termos de segurança, duração e efeitos metabólicos. Nessa complexa batalha contra o sobrepeso e obesidade, com certeza, uma ótima notícia e uma estratégia nutrológica inovadora e, principalmente, segura.

Abraços,

Leandro Minozzo

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