A Biografia Resumida do Dr. Viktor Frankl

No Mês de Alerta sobre o Suicídio, uma Biografia Marcante: a Vida do Dr. Viktor Emil Frankl

Publicado em 1 de setembro de 2017 às 6:38am

Iniciamos o mês de setembro, quando muito se falará acerca do suicídio, ou da suicidalidade. E, sim, falar sobre isso é fundamental. Com o distanciamento cada vez maior das pessoas e da sociedade da condição humana e com as exigências de um mundo acelerado e promotor de desesperança e solidão, o suicídio tem crescido. Jovens hoje são a grande preocupação no que tange o assunto: pensam muito na morte e cada vez mais se aproximam da automutilação. Por quê? E o que fazer para ajudá-los?

O que os deixam ainda mais desamparados é a falta de profissionais que lhes consegue compreender, escutar e oferecer o cuidado necessário. Com o tempo e a empatia necessários.

Temos, enquanto sociedade, dificuldades em acessar esse tipo de sofrimento.  Quem hoje, escolheria trabalhar ou simplesmente ter uma conversa com alguém com esse tipo de sofrimento? Poucos.

Deixo uma biografia importante no estudo e no tratamento do suicídio. Um texto bem simples, já antigo, sobre uma figura cujo nome frequenta o discurso de muitos humanistas, o Dr. Viktor Frankl. Sua importância histórica reside na capacidade de destacar a condição humana no século passado, afastando de uma visão existência estéril. E também, naquela época, a humanidade, vivia a desesperança e um clima de medo e ódio latentes.

 

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Viktor Frankl nasceu na Áustria, em 1905. Seu interesse por questões existenciais remontam ao início de sua vida de estudante. Prova disso foi ter apresentado, como exame final do ginásio, um artigo sobre a psicologia do pensamento filosófico. Logo em seguida, aos 16 anos, expôs suas ideias sobre o sentido da vida, em palestra para o partido socialista da sua cidade.

 

O brilho nos olhos do jovem Frankl rapidamente impressionou estudiosos e o colocou em correspondência frequente com ninguém menos que Sigmund Freud. Por influência deste, Frankl publicou seu primeiro artigo em 1924, na “International Journal of Individual Psychology”, um grande feito para quem ainda cursava a faculdade de medicina.

Dois anos passaram-se e ele já denominava suas ideias de logoterapia – usando o significado grego para “logos”… sentido… Era o início da terapia do sentido da vida.

Em 1928, aos 23 anos, Frankl organizou e ofereceu um programa especial, e gratuito, para aconselhamento de alunos do ensino médio. Com o apoio de psicólogos, ele formou uma equipe que agia justamente no momento de grande fragilidade de qualquer aluno: a época da entrega dos boletins. O programa deu muito certo. Em 1931 nenhum estudante vienense cometeu suicídio. O sucesso despertou a atenção de autoridades europeias, que passaram a convidar Frankl para dar palestras em diversos países.

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Em 1929, ainda no último ano da faculdade de medicina, Frankl já delineava o que seria o alicerce de sua contribuição para a psicoterapia. Segundo o jovem Viktor, os três valores, ou formas, que viabilizam ao ser humano encontrar o sentido da vida eram:

  • Criar um trabalho ou fazer uma ação;
  • Experimentar algo ou encontrar alguém (não só trabalho, mas também no amor);
  • A capacidade de encontrar sentido até mesmo no sofrimento.

Entre 1933 e 37, Frankl completou suas residências em Neurologia e Psiquiatria, tornando-se responsável por uma ala tenebrosa do hospital psiquiátrico, chamada de “pavilhão do suicídio”. Lá, atendeu mais de 3 mil mulheres com ideação suicida.

Em 1941, casou-se com a enfermeira Tilly Grosser, enfermeira do hospital onde Frankl trabalhava. Ah, esqueci de mencionar que naquele momento, o mundo, e particularmente a Europa, sofria com a Segunda Guerra Mundial. Outra informação significativa na vida do jovem casal: eram judeus.

Do destino de seu povo naquele momento, o jovem psiquiatra decidiu não fugir. Junto a sua esposa e  toda família, foi mandado para um gueto e após para três campos de concentração. Não preciso mencionar o que se passou ou se viveu nesses locais. Como se não bastasse um aborto forçado pelos nazistas antes da separação do casal, durante o período, Frankl perdeu quase todos dos seus: a esposa, os pais, o irmão – todos foram mortos. Ele só não perdeu sua irmã e… sua teoria, sua logoterapia.

Foi a esperança de reencontrar sua esposa e publicar suas ideias sobre a terapia do sentido da vida que mantiveram Frankl vivo ao longo dos três anos de sofrimento humano indescritível. Tamanha era a alimentadora vontade de passar seus conhecimentos a diante, que Frankl perigosamente escondia rabiscos da sua teoria dentro das cuecas.

Um psiquiatra no campo de concentração. Um psiquiatra que pode conhecer o essencial, o homem despido, o homem com medo, o homem mórbido e, o que impressiona e comprovou sua teoria, o homem com sentido na vida. Como explicar que, apesar de tudo, muitos judeus sobreviveram? Como? Frankl usou muito a frase de Nietzsche, “Quem tem por que viver pode suportar quase qualquer como”.

Em 1944, Frankl foi libertado. Porém, o desejo de reencontrar sua esposa foi logo descoberto como não mais possível. Mas  e aquele desejo, o de passar suas ideias para as próximas gerações e contribuir com a ciência, revelar o tesouro que representava toda sua vida de dedicação, que se fundia nele mesmo, a razão que o manteve vivo… Frankl o realizou no ano seguinte, com a publicação do livro: “Dizendo sim para a vida apesar de tudo: experiências de um psicólogo no campo de concentração.”

O Dr. Frankl encontrou novos sentidos em sua vida, novos motivos para seguir vivo. Continuou com o brilhantismo em sua carreira. Assumiu a direção da Policlínica Neurológica de Viena, cargo que desempenhou por 25 anos. Deu palestras em 209 universidades, em todos os cinco continentes. Recebeu 29 títulos de Doutor honoris causa, no Brasil pela UFRGS e PUCRS.

 

“Em vez de possibilidades, realidades é o que tenho no meu passado, não apenas a realidade do trabalho realizado e do amor vivido, mas também a realidade dos sofrimentos suportados com bravura. Esses sofrimentos são até mesmo as coisas das quais me orgulho mais, embora não sejam coisas que possam causar inveja.”

(Frankl)

Um abraço, Leandro Minozzo

Em 2013 publiquei um livro sobre depressão em idosos e usei muito os ensinamentos de Frankl. Deixo o link para download abaixo.

Baixe aqui o livro sobre a terapia do sentido da vida como prevenção e tratamento para depressão em idosos. 

 

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