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Como evitar erros no diagnóstico de alterações da testosterona

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Há poucas horas, atendi paciente em reconsulta. Exatamente após 40 dias dos exames laboratoriais inicias, ele fez uma segunda coleta.

Caso usasse como norte apenas a análise do primeiro exame (estava abaixo do nível ideal), com isso já feito o diagnóstico e, logo, proposto tratamento, eu estaria cometendo uma falha. Teria diagnosticado esse senhor de 50 anos com hipogonadismo ou DAEM (distúrbio androgênico do envelhecimento masculino). Parece um detalhe, mas a medicina é cheia dessas pequenas coisas que fazem a diferença. Chamo atenção para esse caso e faço o alerta porque vejo que é um assunto que muitos médicos – e infelizmente também outros profissionais da área da saúde – se arriscam e acabam não oferecendo um tratamento adequado.

O paciente em questão vinha sob forte estresse e perpetuava hábitos de vida não saudáveis. Eles foram corrigidos e os níveis de testosterona aumentaram em mais de 90% em poucos dias.  Faço questão de deixar claro: não lhe prescrevi nada hormonal ou indutor, nada! O que houve foi o respeito às diretrizes, às regras estabelecidas pela ciência.

E quais seriam os riscos de um diagnóstico mal feito? Primeiro, a estigmatização, o paciente sairia do consultório com um diagnóstico que carregaria para o resto da vida. Além disso, provavelmente seria-lhe prescrito um tratamento a longo prazo, relativamente oneroso, e que pode expor o paciente a alguns efeitos adversos. Posso acrescentar que o outro risco seria depositar exclusivamente numa questão hormonal a razão do surgimento de uma série de sintomas que na verdade são causados por uma condição ou doença completamente diferente. Foi bem o caso desse paciente. Atribuindo tudo à questão hormonal, perde-se à oportunidade de se conseguir chegar a um diagnóstico mais amplo e que trará mais benefícios aos pacientes.

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Todas as diretrizes de organizações que estudam DAEM indicam que se deva:

(1) realizar duas dosagens;

(2) realizá-las pela manhã;

(3) associar sempre as queixas clínicas aos resultados laboratoriais – apenas o laboratório não faz o diagnóstico;

Incluo:

(4) não se esteja usando quaisquer formas de corticoide ou antifúngico;

(5) não se esteja usando drogas e até mesmo consumindo bebida alcoólica.

 

Deixo link para postagem mais esclarecedora sobre o assunto, clique aqui.

Aproveito o post para, mais uma vez, agradecer a um dos maiores endocrinologistas do Brasil, o Dr. Minuzzi, pelos ensinamentos práticos. Trata-se de um médico verdadeiramente apaixonado pelo que faz.

 

Grande abraço, Leandro Minozzo

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