E os idosos? Orientações geriátricas para enfrentar a epidemia de Coronavírus - Leandro Minozzo

E os idosos? Orientações geriátricas para enfrentar a epidemia de Coronavírus

Publicado em 10 de março de 2020 às 9:39pm

E os idosos? Orientações geriátricas para enfrentar a epidemia de Coronavírus

Como médico geriatra, venho acompanhando as notícias, as pesquisas e pensando como atender os idosos nessa epidemia. Lembro-me muito bem de como foi a gripe A e sei que orientações clínicas são relevantes. Hoje, tivemos o primeiro caso diagnosticado aqui na região e levar informações úteis se faz necessário. Em primeiro lugar, realmente são as pessoas Idosas, em especial com mais de 80 anos, as que têm mais sofrido com a doença – os relatos na China e na Itália comprovam isso. Nesse grupo, precisamos estar atentos naquelas pessoas que têm doenças cardíacas, que infartaram ou que têm insuficiência cardíaca.

Sobre os sintomas, acho que é relevante lembrar que idosos podem apresentar reações diferentes daquelas dos adultos. É muito comum que ao invés de tosse, coriza e até mesmo febre, o idoso desenvolva os sintomas atípicos, como Confusão Mental, Perda de Apetite, Cansaço e Quedas. Outro detalhe clínico sobre infecções respiratórias em idosos é a Frequência Respiratória. É fácil para verificar. Ao contar quantas vezes o idoso respira ao longo de 1 minutos, se a quantidade for 24 ou mais vezes temos um indicativo de desconforto que precisa ser avaliado pelo médico. É importante que profissionais de saúde verifiquem esse sinal vital. Muitas vezes só a frequência e a perda de apetite antecedem os sintomas mais comuns e até mesmo a alteração no raio-x nas pneunomias.

Mais uma “dica” relevante: não espere que o idoso apresente febre. Cerca de 20% dos casos relatados na China não apresentaram febre e no idoso, esse sinal tem uma característica. Na geriatria, consideramos a temperatura como alterada quando ela é 37,2 ° C ou mais. O limiar da febre é menor em idosos, ou seja, não precisamos esperar uma pessoa de 80 anos chegar a 38° para pensar em gripe ou pneumonia. E a tosse em idosos pode ser menos intensa.

Sobre a conduta quando um idoso apresente sintomas gripais, é fundamental que ele procure ou seja levado ao atendimento médico. Se o paciente piorar um ou dois dias após a consulta, caso surjam novas sintomas ou não melhore, é CRUCIAL que ele retorne ao atendimento. Na Gripe A, lembro que muitas vezes os pacientes eram internados nas reavaliações, quando percebíamos a piora e as alterações nos exames. Nos casos atendidos na China, os exames de laboratório e, principalmente, de imagem de radiografia simples e de tomografia de tórax foram decisivos nas condutas – ajudaram a diferenciar casos potencialmente graves.

Medidas de precaução já são bem conhecidas por todos e RECOMENDO que façam a vacina para GRIPE, que será distribuída gratuitamente (pelo SUS) a partir do dia 23 de março a todos idosos do Brasil. Também recomendo a vacinação para o pneumococo, disponível no SUS para idosos com doenças crônicas e em clínicas particulares.
No mais, reforço que há 10 anos superamos uma epidemia (Gripe A) e temos tudo para superar essa também.

Abraços,
Leandro Minozzo – Geriatra – CREMERS 32053

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