"Férias" de medicação para osteoporose? - Leandro Minozzo

“Férias” de medicação para osteoporose?

Publicado em 30 de julho de 2015 às 4:47pm

Você sabia que, na maioria dos pacientes em uso de medicações para osteoporose, pausas podem ser aconselhadas? E isso sem quaisquer prejuízos ao tratamento.

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Nos últimos 4 anos, tem ganhado força no meio científico a indicação da prescrição de “férias” dos bisfosfonatos – classe que inclui o famoso alendronato, o risedronato, o ibandronato e o ácido zoledrônico. Os três primeiros são de uso oral e possuem maiores evidências em relação a essa descontinuação. Entre os motivos que levaram colegas a indicar inicialmente essas pausas, havia o receio que o uso prolongado a classe pudesse ocasionar fraturas e problemas sérios em ósseos, como necrose da mandíbula. Hoje, porém, a segurança dos bisfosfonatos é bem estabelecida. Desse receio inicial ficou uma constatação interessante: pacientes que fizeram pausas após tratamentos de 3 a 5 anos não tiveram risco aumentado de piora na osteoporose ou para fraturas.

E qual seria a explicação? Os bisfosfonatos possuem a capacidade de continuar agindo nos ossos por um longo período, mesmo após sua interrupção. Essas férias são indicadas para pacientes com osteoporose leve e moderada ou com baixo risco para fraturas. (clique aqui e conheça a ferramenta FRAX para calcular risco de fratura em 10 anos). Em certos casos, outras classes de medicação podem ser prescritas. Ao observar cuidadosamente o paciente, o médico pode decidir pela retomada dos bisfosfonatos a qualquer momento.

A meu ver, a pausa orientada dessas medicações representa uma oportunidade para:

  • reavaliar a necessidade do tratamento (atendo muitas mulheres com osteopenia inicial e já desnecessariamente medicadas);
  • reforçar hábitos saudáveis (alimentação e exercício físico!);
  • reforçar a suplementação de cálcio e a adequação dos níveis de vitamina D.

Além do efeito psicológico positivo de se tomar uma medicação a menos, as férias dos bisfosfonatos possibilitam, sem maiores riscos à saúde, uma excelente oportunidade de economia. Pelos meus cálculos, um ano de pausa representa uma quantia entre 600 a 1200 reais – que poderiam ser investidos em outro tipo de cuidado.

Ficou curioso? Converse com seu médico. Ele pode analisar seu caso com todo cuidado e considerar essa alternativa.

Abraços, Leandro

Leia mais em:

Universidade do Texas https://www.utexas.edu/pharmacy/divisions/pharmaco/rounds/asias01-13-12.pdf

Blog de Saúde da Univ. de Harvard: Quando fazer a nova densitometria após as férias? Em 1 ou 2 anos? http://www.health.harvard.edu/blog/women-osteoporosis-drug-holiday-bone-testing-one-year-offers-little-benefit-201405077140

 

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