Menu fechado

Os profissionais de saúde do Brasil estão preparados para cuidar de um paciente com Alzheimer?

Infelizmente essa é uma grande dificuldade que temos nesse desafio complexo que são as demências. Quando analisamos a formação dos médicos brasileiros, a maioria não teve a cadeira de geriatria na faculdade. Em raras universidades os médicos eram formados com alguma aula sobre os assuntos mais frequentes no cuidado das pessoas idosas.

Um dos reflexos da falta de capacitação dos médicos brasileiros no cuidado com as pessoas idosas é a extrema dificuldade que detectamos no diagnóstico de síndromes demenciais. Há, inclusive, alguns estudos apontando que são quase 700 mil brasileiros com demência e que nem ao menos tiveram o diagnóstico. Além disso, além dessa dificuldade em fazer um diagnóstico, temos limitações dos profissionais de saúde na orientação quanto à prevenção das demências, ao tratamento e ao cuidado ideal do paciente e de toda a família.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, onde moro, apenas um número muito reduzido dos idosos com Alzheimer recebe a medicação específica para a doença e, mesmo em família de classe média alta, poucos recebem o cuidado que podemos considerar como ideal. A realidade no SUS é ainda mais complicada para os idosos e suas famílias: a maioria das cidades não conta com uma linha de cuidado estabelecida.

Há, sim, médicos extremamente capacitados – geriatras, neurologistas, psiquiatras e clínicos gerais – que se dedicam ao estudo das demências, em especial nas maiores cidades do país. Talvez, tenhamos alguns dos expoentes mundias no cuidado em Alzheimer em São Paulo – o Dr. Ricardo Nitrini e a Dra. Sonia Brucki.

No entanto, esses profissionais são em número reduzido para atender os quase 1,5 milhão de brasileiros com Alzheimer. E, olhando para os próximos 10 e 20 anos, teremos uma carência ainda maior desses médicos, uma vez que estima-se que o número de pessoas acometidas triplicará.

Apesar de não haver cura para o Alzheimer, o médico que se dispõe a atender a família necessita de constante aperfeiçoamento e dedicação. Além das atualizações clínicas, ele deve continuamente desenvolver-se enquanto pessoa para orientar seus próximos perante tamanho desafio.

Post relacionado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.