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Por que muitos familiares não acreditam no diagnóstico de Alzheimer?

Assim como ocorre em outras doenças complexas, a negação é uma reação considerada normal entre quem é por elas acometidas ou em seus familiares. Muitas vezes, ela é bastante útil para que a pessoa se organize até que a “ficha caia” – sei que essa expressão já anda entregando a idade! 

O problema, em especial no caso de Alzheimer, é que a negação está associada a uma série de complicações no tratamento. Muitas atitudes deixam de serem tomadas quando o diagnóstico não é aceito.  

Diferente do câncer, por exemplo, que costuma se apresentar na forma de um resultado muito concreto, como uma biópsia ou um exame de imagem extremamente sugestivo, no caso das demências há barreiras sociais que tornam o diagnóstico mais exposto ao fenômeno da negação. Muitos familiares, inclusive, têm dificuldade para diferenciar o que é um esquecimento corriqueiro, tolerável para a idade, daquele típico das demências; acham que é exagero do médico ou de um dos outros familiares.  

A negação precisa sempre ser considerada no cuidado em Alzheimer. Consultas extras com familiares em separado, entrega de materiais para leitura, de vídeos e a consulta com outros médicos especialistas são recursos que podem ajudar.  

Uma situação muito comum no cuidado de pessoas com Alzheimer é o que chamo de negação seletiva ou falsa-negação. Ela ocorre quando um familiar, geralmente que não reside junto à pessoa com Alzheimer, minimiza as queixas e as demandas, a fim de se esquivar de ajudar, de contribuir.  

Nesses casos, um dos familiares acaba sendo sobrecarregado.  

Os médicos não precisam ficar chateados ou menosprezados quando se deparam com a negação. Eles devem é estar preparados e entender que é um processo esperado e que, assim como outros nesse desafio chamado cuidado integral em Alzheimer, precisa ser resolvido.  

Por atender pessoas com Alzheimer desde os meus 25 anos de idade, quando era bem jovenzinho, aprendi a lidar muito bem com a negação. Muitos familiares não acreditavam que um rapazinho de jaleco pudesse acertar um diagnóstico tão complexo. Isso me motivou a ensinar cada vez mais sobre demências a essas pessoas e a ter a tranquilidade de encaminhar famílias para segundas e terceiras opiniões.  

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