Sinais de que o trabalho te adoecerá em breve.   - Leandro Minozzo

Sinais de que o trabalho te adoecerá em breve.  

Publicado em 8 de setembro de 2017 às 7:39am

 

Quase todo mundo consegue descrever os sintomas de estresse. Afinal, já são mais de 20 anos que o assunto frequenta as mídias e permeia nosso cotidiano de uma forma constante. Há mais de 20 anos, posso dizer assim, está na boca do povo, de médicos, de psicólogos. Reconhecer esses sintomas em si mesmo, porém, ainda é um desafio para grande parte dos co-habitantes do planeta.  Será que não é também para você?

Deixo aqui, de novo, esses sintomas mais “gerais” de estresse:

Físicos: dor de cabeça, alteração do sono, dor muscular, náusea, diarréia,  fadiga;

Mentais: diminuição da concentração, insônia, confusão, falta de clareza das ideias, diminuição de libido, indecisão e baixo senso de humor;

Emocionais: ansiedade, nervosismo, irritação, impaciência e depressão;

Comportamentais: inquietação, agitação, caminhar “de um lado para outro”, comer compulsivo, uso de redes sociais em excesso, tabagismo e alcoolismo (abuso).

É claro que, necessariamente, eles não se manifestam todos de uma só vez.  Há uma variação muito grande nas respostas individuais, relacionada à personalidade de cada um e à capacidade de lidar com a sobrecarga.

 

Hoje, o que gostaria de chamar atenção é sobre os sintomas que envolvem um tipo mais especifico de estresse, o laboral. Talvez, ao lado de questões existenciais e de relacionamentos afetivos, o trabalho seja um dos grandes causadores da sobrecarga incessante que nocauteia, ou vence por pontos, a capacidade de resiliência das pessoas.  Hoje, temos tanto a cobrança por produtividade e a falta de condições quanto as relações interpessoais e o clima organizacional como causadores do estresse laboral. Provavelmente, as relações interpessoais e a falta de reconhecimento ou de justiça, as impossibilidades de crescimento ou de manifestar criatividade sejam grandes causadoras do estresse ocupacional. Ah, também não se pode esquecer a questão do sentido, que aproxima aspectos existenciais com o trabalho: para muitas pessoas, o trabalho sem propósito acaba também se tornando estressante pelo tédio, pelo vazio.  Vejo isso em pessoas que já há 15 ou 20 anos realizam a mesma tarefa e naquelas que precocemente atingiram suas metas profissionais.

stress cardio

Nesse cenário, há espaço para muitas análises. Muitas.  Mas o que chamo atenção hoje é para a questão da saúde. Tenho certeza que o trabalho dignifica e engrandece o homem. Mas acredito, por outro lado, na sua capacidade adoecedora e que ela seja difícil de enfrentar nos dias atuais. Muitos vivem verdadeiros dilemas no equilíbrio entre qualidade de vida e as demandas relacionadas ao trabalho – o que, para os que felizmente possuem um emprego ou estão colocados no mercado, seja um dos desafios. Sobre o estresse laboral,  percebo que as pessoas pagam um preço alto por uma dificuldade e por uma demora de atribuição. Elas não conseguem identificar com clareza qual a fonte do desconforto. Muitas ignoram as raízes relacionadas ao trabalho e acabam creditando suas dificuldades à família e a seus próprios “defeitos”.  Sei que não é fácil olhar para si e muito menos enfrentar as dificuldades relacionadas ao trabalho, pois elas mexem em estruturas e podem precipitar mudanças. E como é difícil enfrentar essas situações.

Separei alguns sintomas bem específicos de estresse ocupacional e que comumente levam e perpetuam confusões.  Esses sintomas podem variar e muito conforme a função. Profissionais da saúde e educadores, por exemplo, podem desenvolver a Síndrome de Burn Out, ou a fadiga da compaixão. Nesse quadro, há a perda nefasta de reconhecer pacientes e alunos enquanto pessoas, seres merecedores de empatia e de ação para alívio de sofrimento ou promotoras de crescimento. Pacientes passam a serem tratados como doenças, pedaços de gente, ou culpados por estarem ali, por exemplo.

Em outras profissões, a necessidade de estar sempre conectado com equipe ou supervisionando um processo delicado acaba as tornando excessivamente vigilantes. Passam a olhar o celular o tempo todo, verificar caixa de email e aplicativos de mensagem sistematicamente (como se não houvesse nem mesmo o alerta de recebimento de mensagens).  Médicos, advogados, jornalistas, supervisores, gerentes, vendedores proprietários de pequenos negócios,… muitos acabam caindo no excesso de vigilância. Elas perdem tempo de relaxamento, capacidade de foco e conexão consigo mesmos ou com seus familiares.  O problema de chefes assediantes também perpetua essa necessidade de hiperconectividade e prontidão permanentes – o que é péssimo. Ai de quem não responder uma mensagem do chefe rapidamente.

Deixo aqui uma lista resumida de sintomas que apontam para sinais de estresse laboral. Assim como na primeira lista, não há necessidade de que todos se manifestem simultaneamente.

Confira os sintomas:

  1. Relações prejudicadas;
  2. Evitamento (reuniões, solução de problemas);
  3. Pensamentos de mudança;
  4. Pensamentos de injustiça ou perseguição;
  5. Baixo comprometimento;
  6. Perda de ambição;
  7. Perda de prazer em atividades que antes davam satisfação;
  8. Cansaço excessivo e pessimismo em relação ao trabalho;
  9. Despersonalização (clientes e pacientes como coisas e sem identidade próprias);
  10. Melhora em humor quando das férias e piora em poucas semanas após retorno;
  11. Constante verificação de mensagens pelo celular;
  12. Perda e confusão em relação ao propósito.

 

A presença desses sintomas nem sempre indica que o problema está em você.  Muito menos que fez uma escolha profissional equivocada. Passar por fases ruins em empresas também é algo que é próprio da vida profissional.  Momentos como esse podem, quando analisados com calma e sabedoria, promover mudanças positivas tanto individualmente quanto na empresa.  O grande problema é quando se perde a capacidade de equilíbrio e surgem a insatisfação crônica e o adoecimento.  Os crescimentos na incidência da hipertensão arterial, da ansiedade, da depressão e dos casos de AVC estão aí para alertar.

Você, sinceramente, reconhece algum desses sintomas no seu dia a dia?

 

Grande abraço,

Dr. Leandro Minozzo

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