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Tratar Depressão e Ansiedade Não é Custo, é Investimento

Olá!

Uma pesquisa publicada em maio passado, no jornal The Lancet Psychiatry, chamou atenção justamente por abordar a questão do impacto econômico das doenças mentais e de seus tratamentos. Com o significativo aumento nos casos de depressão – 50% entre 1990 e 2013-, é de se esperar que diversos aspectos relacionados à doença sejam melhor estudados, entre eles os custos, o impacto na qualidade de vida, diminuição de produtividade laboral e o retorno sobre o investimento dos tratamentos.

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A relação que faço entre os achados dessa pesquisa com a realidade atual – de dificuldade financeira global e crise/colapso político em nosso País – se dá no risco pelo qual passa o custeio à saúde. Sabemos que cortes nas verbas do setor por parte de governos impactarão diretamente no acesso, no diagnóstico e no tratamento de pessoas doentes. No caso dos transtornos mentais, como a depressão e a ansiedade, considero que o risco seja até um pouco maior, devido às características próprias do cuidado que demandam.

Nessa análise, além do risco da redução das verbas públicas para custear a saúde e saúde mental (que muitas vezes ouvimos chamarem de “gastos”), temos na esfera individual dois outros aspectos a considerar: a redução do “auto-investimento” em saúde e o maior adoecimento psicológico em tempos de crise.  Estudos realizados em populações que enfrentaram crises econômicos apontam para a redução no investimento individual em saúde, principalmente em consultas e medicamentos. As pessoas muitas vezes chegam a abandonar tratamentos, inclusive diminuindo a adesão aos medicamentos. Quanto ao segundo aspecto, os estudos epidemiológicos mostram também aumento nos casos de estresse grave (esgotamento), ansiedade, depressão e, o que é mais grave, suicídio.

Em 2008, no auge da crise grega, ocorreram 35% mais casos de suicídio.

É fácil perceber o risco que se corre com a redução o investimento necessário para tratar as doenças mentais no cenário que se apresenta.

Aliás, gasto ou investimento?

É aí que quero expor meu argumento: a pesquisa a qual referi no começo do artigo mostra em detalhes que o recurso financeiro dispendido no tratamento de doenças como depressão e ansiedade é, sim, investimento. Ou seja, há um retorno pessoal e também um retorno social em termos econômicos.

Os pesquisadores, através de ferramentas estatísticas, analisaram os custos do tratamento nas duas doenças nos próximos quatro anos (2016-2030) em 36 países: chegaram ao total de 147 bilhões de dólares. Sem dúvida alguma, um montante financeiro considerável. Porém, nas projeções de retorno sobre esse valor, o retorno surpreende: estimaram em 399 bilhões devido à melhora na participação da força de trabalho e em 310 bilhões com a melhora na saúde dos pacientes tratados.  Especificamente no caso da depressão, o retorno ficou em 1:4. Isso quer dizer que para cada 1 real colocado no tratamento da doença, haverá um retorno de 4.

Logo, tratar depressão não se trata de custo, mas, sim, de investimento.

Um grande abraço,

Leandro

Referência: Lancet Psychiatry. 2016 May;3(5):415-24.

 

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