Será que tu não estás cometendo suicídio (indireto) sem perceber? O Natal é uma época interessante para se pensar nisso.

Publicado em 1 de dezembro de 2017 às 8:43am

Os últimos anos não têm sido fáceis para muitas pessoas. Nas esferas social e econômica, vivemos um momento conturbado: a volta do desemprego, muitas expectativas materiais frustradas, a violência em suas diversas formas, a falta de paciência, de reflexão e, quem diria, a intolerância mostraram suas caras.

Não. Não acho que sejam essas as características predominantes nas pessoas com quem convivo ou  que sejam todas situações definitivas e sem solução. Apesar de ter diminuído, a esperança e o otimismo ainda estão presentes. Vejo ainda muita bondade, caridade, cuidado, perseverança e até mesmo criatividade. No entanto, conforme diz o Papa Francisco, devemos cumprir com nossa função principal enquanto cristãos: sermos otimistas.

Há alguns anos, numa noite de sono difícil, fui ler um livro antigo, escolhido ao acaso – daquelas coisas de “bibliomancia”.  As páginas já amareladas eram protegidas por uma capa remendada por fitas de durex. Eu estava na casa de um grande amigo, de férias no Rio de Janeiro, mas mesmo assim, estando num dos meus lugares favoritos, algumas situações pessoais não me deixavam descansar e veio uma inquietação  – que hoje reconheço e aceito como intuição. Naquela altura da noite, a ideia era ler qualquer coisa para que o sono viesse.

Ele não veio.

Afinal, o livro trazia mensagens marcantes, que me ajudaram a fazer escolhas e a encarar a vida de uma maneira mais consciente.

Alguns dias depois, em dezembro de 2012, escrevi um artigo sobre aquela leitura. Deixo-o logo abaixo. É um recado simples, de alguém que tenta encarar a vida considerando os outros, buscando ver e mostrar o lado bom e que tenta esperançar quem cruza o caminho.

Parece que a vida nunca foi tão curta. Já ouvi mais de uma vez de pacientes: “a cada ano que passa, percebo que os anos vão ficando menores, doutor”. É, sim, o que parece. Provavelmente o excesso de informação, de fatos novos, a mobilidade ou mesmo o constante estresse e ansiedade contribuam de forma determinante para isso. Nesse frenesi, muitas situações passam desapercebidas e às vezes assumimos riscos tremendos ao entregar nossa vida e saúde ao amanhã, à sorte, aos outros. O que percebo, e as estatísticas confirmam, é um adoecimento quase generalizado de adolescentes, adultos e idosos.

E o pior de tudo é que não estou exagerando. Doenças do corpo e da mente cada vez surgem mais precocemente.

Aqui, poderia falar sobre um conceito fabuloso da psicologia chamado locus de controle – que posiciona o senso de responsabilidade de cada um. Por exemplo, aqueles com locus dentro de si, vivem melhor e muito mais. Só que não quero falar de psicologia do envelhecimento, quero é tentar me aproximar de você. Ao chegarmos perto do Natal e do Ano Novo, quero também falar de responsabilidade, mas aquela envolvendo a raiva, o ódio, a falta de gratidão e o bem mais desejado e lembrado nessas festas: a saúde. Será que não somos responsáveis por não administrar de uma maneira saudável sentimentos ruins? Não somos responsáveis por deixar o cotidiano roubar nossa energia, nossa alegria?

Para isso, trago uma passagem do livro Nosso Lar, que li há poucos dias, num momento de fragilidade. Transcrevê-la integralmente aqui fica difícil, mas a ideia principal é a do suicídio inconsciente (ou indireto ou involuntário) – diagnóstico dado ao perplexo médico André Luiz, quando chega no Umbral. Um dos espíritos auxiliares o explica sobre como havia atentado contra a própria vida continuamente, ao longo de anos:

“Nunca imaginou que a cólera fosse manancial de forças negativas para nós mesmos? A ausência de autodomínio, a inadvertência no trato com os semelhantes, aos quais muitas vezes ofendeu sem refletir, conduziam-no frequentemente à esfera dos seres doentes e inferiores. Tal circunstância agravou, de muito, o seu estado físico.”

Independente do seu credo, saiba que em termos de saúde e de ciência é isso mesmo que acontece. Há fundamento nessa ideia de suicídio inconsciente: cada vez mais estudos comprovam e explicam a relação entre estados emocionais negativos, precipitados pelo estresse, com diversas problemas de saúde. Refiro-me a doenças que relacionadas ao enfraquecimento do sistema imune (que nos defende) ou mesmo o surgimento de inflamação. Falo de hipertensão, diabetes, câncer e depressão. Provavelmente, posso falar também de Alzheimer.

Sabemos que os pensamentos ruminantes sobre fatos desagradáveis nos fazem tremendamente mal. A raiva ou o senso de injustiça que apertam o estômago ou disparam o coração. A respiração curta e acelerada. A palavra dita de maneira rude, revelando uma defesa ameaçadora. E geralmente logo com quem nos quer bem. Ou então, é aquilo que não dizemos, guardamos ali apertado entre o abdômen e o tórax. São perigos na maioria das vezes imaginários – jamais ocorrerão – porém com repercussões reais em nossas glândulas, coração e cérebro. Nosso organismo, de alguma forma poupa-nos da consciência dessa tempestade. Só nos damos conta do que se passa quando já sofremos além de nossas capacidades.

Hoje, não pedirei  atividade física ou alimentação saudável. Como médico, o que lhe peço é mais perdão. Mais gratidão.Que preserve e respeite a sua própria vida, afinal ela é um momento único. Ame-a de verdade.

Como médico eu lhe peço que pratique um pouco de autocompaixão nesse mês. Não se preocupe com isso, não tenha medo de ser bom contigo mesmo. Lembrar-se de que você é humano e tem o direito de cometer erros não te fará mais fraco. Essa consciência só te fortalecerá. Afinal, tentar adaptar-se a um mundo doente não te fará mais saudável ou espiritualmente mais elevado.  E Deus não é carrasco. Em todas as grandes religiões, ele é misericordioso, compassivo e ciente dos teus limites e de tudo que acontece.

Peço também o esforço para limpar do seu sangue ressentimentos  e da sua mente os pensamentos automáticos que apenas lhe prejudicam –  eu sei, que com o estresse, esses pensamentos extremamente críticos costumam vir rápida e implacavelmente. Eles não levam a nada, a nenhuma alegria.

Distribua o presente da sua alegria… elogia e agradeça, usando sua voz, seu olhar e seus braços.

Deseje ser melhor.

 

 

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