17% dos americanos que procuram cirurgia bariátrica sofrem de uma doença pouco conhecida

17% dos americanos que procuram cirurgia bariátrica sofrem do comer compulsivo

Publicado em 2 de maio de 2017 às 11:04pm

 Como anda a cabeça dos pacientes obesos que criam coragem e procuram a tão falada cirurgia bariátrica? Um estudo de revisão publicado há poucos dias no JAMA analisou a prevalência (percentual) de transtornos psiquiátricos nesses pacientes. Trata-se de uma levantamento muito bem feito, que investigou dados de 50 mil pacientes que realizaram o procedimento entre janeiro de 1988 e o último novembro. (JAMA. 2016 Jan 12;315(2):150-63)


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Como era de se esperar, o transtorno mais comum foi a depressão: 19% dos pacientes estavam deprimidos no momento da avaliação pré-operatória. O que me chamou atenção – e motivou escrever esse relato – foi que logo em seguida outro transtorno apresentou prevalência muito próxima: 17% dos obesos que foram submetidos à cirurgia tinham o “binge eating disorder” – transtorno da compulsão alimentar periódica.

Chama atenção, é claro, devido a alta prevalência e ela ser próxima a da depressão- 1 em cada 5 pacientes; no entanto, daí indo para um aspecto mais técnico, esses pacientes provavelmente não poderiam ter sido operados, já que esse transtorno necessita de tratamento antes do procedimento. O paciente com binge eating não consegue controlar seu comportamento alimentar, pois sofre de compulsão. Ele começa a comer, principalmente à noite, e apresenta dificuldades em se saciar. Formas inteiras de bolo, caixas de Bis, pratos e mais pratos de macarrão… Os pacientes comem grande quantidade de calorias num curto período de tempo (menos de 2 horas). Todos sabemos que esse tipo de conduta após uma cirurgia que reduz o volume do estômago pode ser, além de tudo, perigoso.

Outras pesquisas sobre o comer compulsivo apontam que pelo menos 1 em cada 3 pacientes que procuram tratamento para emagrecer são acometidos pelo transtorno. Acontece, e tenho aprendido a lidar com isso, que os pacientes que sofrem com o binge eating costumam ter uma vergonha muito grande de revelar seus sintomas e, pior ainda, seus sentimentos. Para fazer esse diagnóstico, é preciso paciência e, o principal, a criação de um vínculo. Muitas vezes, as pistas surgem só na segunda ou terceira consulta.

 

Ficou curioso sobre como identificar esse transtorno? Seguem os critérios (adaptados do DSM-V):

A. Episódios recorrentes de compulsão alimentar. Um episódio de compulsão alimentar é caracterizado por ambos os seguintes critérios: 1. Ingestão, em um período limitado de tempo (por exemplo, dentro de um período de 2 horas), de uma quantidade de alimentos definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria em um período similar, sob circunstâncias similares; 2. Um sentimento de falta de controle sobre o episódio (por exemplo, um sentimento de não conseguir parar ou controlar o que ou quanto se come);

B. Os episódios de compulsão alimentar estão associados a três (ou mais) dos seguintes critérios: 1. comer muito e mais rapidamente do que o normal; 2. comer até sentir-se incomodamente repleto; 3. comer grandes quantidades de alimentos, quando não está fisicamente faminto; 4. comer sozinho por embaraço devido à quantidade de alimentos que consome; 5. sentir repulsa por si mesmo, depressão ou demasiada culpa após comer excessivamente;

C. Acentuada angústia relativa à compulsão alimentar;

D. A compulsão alimentar ocorre, em mé- dia, 1 dia por semana, durante 3 meses;

E. A compulsão alimentar não é associada com o recorrente uso de comportamentos compensatórios inapropriados como na bulimia nervosa e não ocorre exclusivamente durante o curso da bulimia nervosa ou anorexia nervosa.

 

E o que fazer quando se tem esse transtorno?

Há tratamento?

Primeiro: buscar ajudar. Porque há sim tratamento. Consegue-se reduzir o sofrimento, a vergonha, os sentimentos de impotência e fracasso absoluto. Depois disso, pode-se perder peso de uma forma saudável.

Será que você conhece alguém que esteja acima do peso e provavelmente apresente esse transtorno?

Grande abraço, Leandro Minozzo

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