Como abordar familiares idosos com depressão?

Publicado em 5 de outubro de 2017 às 7:56pm

 

Deixo um texto antigo, que escrevi em 2011, mas de grande importância.

 

Olá! Tudo bem? O assunto de hoje é delicado e bastante comum. Com o crescimento do número de idosos na sociedade – a cada ano são 800 mil pessoas entrando nessa faixa etária no Brasil! – aumenta também o número de idosos acometidos pela depressão. Colaboram para esse aumento a viuvez crescente, as perdas, a falta de opções de lazer, o empobrecimento na velhice e as difíceis relações familiares.

10-depression-quotes-that-may-change-your-life-9
Mas como e o que falar com um pai, mãe ou esposo deprimido?  Será que ao invés de incentivá-lo, de ajudá-lo, eu não possa estar tornando as coisas ainda piores? Por essas dúvidas frequentes e pelas situações vivenciadas no consultório, trago hoje esse tema para reflexão.
Falando dessas vivencias no dia-a-dia do consultório, o que mais presencio são familiares extremamente incomodados com o estado depressivo do seu parente (o que é normal) e que muitas vezes, ao tentar ajudar, usam frases que despejam culpa no doente, ou mesmo, falam de uma vontade em estar doente: “ele não se ajuda”, “ela sempre faz isso para chamar atenção”. A expressão facial dos idosos deprimidos nesses momentos acaba ficando pior, quando não dão lugar às lágrimas.
Antes de tudo, é interessante que os familiares busquem informações sobre a doença. Entendendo as causas, os sintomas e as formas de tratamento, os familiares poderão ajudar muito, sendo, inclusive, extremamente necessários no processo de cura e prevenção de recaídas. Nessa linha de entender o que é a doença, é importante que os familiares entendam o que se passa na cabeça de quem sofre depressão. Diferentemente de uma pessoa sem a doença, o deprimido pensa, processa as informações de um jeito um pouco diferente, numa lógica  bastante pessimista.

É o que Aaron Beck chama de Tríade Cognitiva da Depressão, que é o conjunto de crenças negativas que permeiam as ideias da pessoa em sofrimento:
Sobre si mesmo: autocrítica exagerada, sentimentos de desvalorização, ou seja, uma visão muito ruim sobre a própria pessoa;
Sobre o mundo a sua volta: o pessimismo toma conta em relação a tudo que é tentativa, plano, futuro. Ele tem a certeza de que as coisas não darão certo;
Sobre o futuro: encara como um lugar sombrio devido à antecipação de frustrações, catástrofes e dor.
Além disso há na pessoa com depressão erros de julgamento ou pensamento, onde as mensagens que chegam até ela são interpretadas erroneamente, com exagero e fatalismo.

Por isso a delicadeza do assunto escolhido. Ao, na melhor das intenções, tentarmos motivar um idoso, poderemos facilmente estar passando uma mensagem que em seu pensamento será interpretada como algo que contribua para piorar seu estado geral. Veja um exemplo bem comum: “Mãe, a senhora precisa se ajudar” poderá ser entendida como “Sou um transtorno para minha filha. Eu só atrapalho.” E por aí vai.

É natural e esperado que nos angustiemos ao ver uma pessoa querida por nós em estado de sofrimento mental, assim como o é que tentemos fazer algo. Só que prestar atenção para detalhes como os mencionados acima poderá fazer toda a diferença.

O auxílio, o cuidado costuma demandar não só compaixão, mas também paciência e uma dose de aceitação das coisas da vida.

Converse com o médico ou psicólogo. Veja como ajudar.
Abraços, Leandro Minozzo

 

Novo Hamburgo- RS | Rua Nações Unidas, 2475 sala 203 - Bairro Rio Branco – Tel. (51) 3035 1240 ou (51) 9818 2595 | leandrominozzo@gmail.com

2015 - Todos os direitos Reservados